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Com o envelhecimento, ocorrem alterações metabólicas e fisiológicas que podem culminar em doenças crônicas, em alterações da composição corporal, com destaque para a sarcopenia e/ou obesidade sarcopênica, e no comprometimento cognitivo e seus agravos.

Inflammaging é um estado pró-inflamatório de baixo grau, crônico e sistêmico, presente em maior ou menor intensidade em idosos sob os mais diversos fenótipos. Esse estado é resultado de desequilíbrios no controle orgânico entre mediadores pró e anti-inflamatórios, com consequentes repercussões negativas sobre o processo de envelhecimento e sobre a promoção da longevidade. Não existe, até o momento, um consenso sobre a exata origem da inflamação sistêmica associada ao envelhecimento e parece que diferentes sistemas corporais estão envolvidos nesse fenômeno. Três hipóteses podem ser citadas: a imunossenescência, a adiposidade e as alterações intestinais.

Inflammaging: Marcadores de Envelhecimento
Inflammaging e imunossenescência:

O envelhecimento e a longevidade trazem um novo desafio ao sistema imunológico.
A função imunológica é biologicamente complexa e sua evolução antigênica crônica e recorrente a agentes infecciosos de baixa virulência é uma situação inédita promovida por vidas longas, às quais os organismos parecem não estar completamente adaptados.
Esse processo leva a um desgaste dos sistemas de resposta a agentes internos – como mutações e geração de células cancerígenas – e externos, com o consequente aumento em número e gravidade dos processos infecciosos. Isso explica, em grande parte, a maior vulnerabilidade de idosos a doenças das mais diversas naturezas, incluindo as neoplasias, as doenças autoimunológicas e as infecções.

Inflammaging e a gordura corporal:

Com o envelhecimento, observa-se um aumento do tecido adiposo corporal, em especial na região abdominal.
A gordura abdominal, que envolve a gordura visceral, tem sido estudada por suas características inflamatórias. Sabe-se que o tecido adiposo é, na verdade, um dinâmico órgão endócrino formado por adipócitos, matriz extracelular, tecidos vasculares e nervosos e também outros tipos celulares.
O tecido adiposo é capaz de secretar um grande número de moléculas como as adipocinas, importantes na regulação de diversas funções metabólicas, como o balanço energético, a pressão arterial, a função imunológica e a homeostase da glicose. São ainda secretados pelo tecido adiposo diversas citocinas pró e anti-inflamatórias, o que deixa clara a relação entre esse tecido e a função imunológica.
De fato, um desequilíbrio entre as diferentes células e moléculas do tecido adiposo, causado, por exemplo, pela dieta e/ou pelo aumento do conteúdo dos adipócitos, parece ser uma explicação plausível para o aumento da inflamação sistêmica. Gorduras, especificamente os ácidos graxos saturados, podem ligar-se a receptores específicos do tecido adiposo, trazendo como resposta o aumento no recrutamento de macrófagos, células do sistema imunológico que liberam citocinas inflamatórias (especialmente macrófagos do tipo M1).
Por sua vez, na expansão do tamanho dos adipócitos, pode ocorrer um desequilíbrio entre diversos sistemas enzimáticos.
Outro fator associado a essa alterações é a diminuição do fornecimento de oxigênio tecidual. Essa hipóxia parece aumentar a expressão de genes inflamatórios.

Inflammaging e alterações intestinais:

O intestino pode ser considerado um sistema bastante complexo que envolve nutrientes, células, componentes do sistema imunológico (celulares e humorais) e bactérias. No que diz respeito a essas bactérias, existem as que podem incluir bactérias patogênicas.
Em condições normais, todos esses componentes estão em equilíbrio e, por isso, a comunicação com a circulação sistêmica e com o sistema imunológico corporal é bastante específica e seletiva.
O equilíbrio entre diferentes tipos de bactérias (basicamente entre as patogênicas e as não patogênicas) é modificado por alterações na dieta. É comum, em idosos, uma redução na ingestão de alimentos ricos em nutrientes, fitoquímicos e fibras, o que diminui a fermentação (não patogênica). Esses fatores dietéticos, aliados à ingestão de diversos medicamentos e à inatividade física, desaceleram o trânsito intestinal; isso pode significar uma sobrecarga bacteriana no intestino, dado à menor eliminação pelas fezes.
Todas essas mudanças acarretam deficiências nutricionais, o que pode agravar o quadro inflamatório em geral. Ocorre alteração das proteínas que fazem a ligação entre as células intestinais, os enterócitos, causando alteração da permeabilidade intestinal, levando a passagem de elementos nocivos ao organismo chegando até a corrente sanguínea. Essa passagem de elementos para a circulação sistêmica pode ser a explicação para quadros inflamatórios graves e agudos, como no caso de uma septicemia, ou leves e crônicos, como o inflammaging.
Dentre os fragmentos de origem bacteriana liberados nessas situações, destaca-se o lipopolissacarídeo. Ele adentra os capilares pela permeabilidade intestinal alterada, ou por sua incorporação aos quilomícrons. Posteriormente, o lipopolissacarídeo liga-se a receptores específicos (principalmente o toll-like receptor – trl-4) no tecido adiposo, no tecido muscular, e outros tecidos, estimulando vias para recrutamento de células do sistema imunológico e secreção de citocinas inflamatórias.
Essas ligações trazem desfechos como redução da sensibilidade à insulina e aumento de processos catabólitos. É comum ocorrer no intestino de idosos um aumento de bactérias gram-negativas, principalmente enterobactérias, e que esse aumento se correlaciona com estados inflamatórios subclínicos.
Portanto, pode-se atribuir a esse gênero de bactérias um dos fatores de desequilíbrio na microbiota intestinal.

(NestrléHealthScience)














 
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