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Disbiose é uma doença que ocorre no trato gastro-intestinal, devido a um desequilíbrio das bactérias da flora intestinal.
O trato gastro-intestinal é um ecossistema dinâmico e integrado, composto de uma matriz de células, de um sistema imune completo e de numerosas espécies de microrganismo que normalmente colonizam e protegem esta mucosa.

Vírus e bactérias são microrganismos extremamente adaptáveis, mas as toxinas que chegam através da dieta, interferem neste equilíbrio dinâmico.

Ao nascer o intestino é estéril, desprovido de micróbios.
O intestino começa a ser povoado quando a criança nasce. A chamada microbiota indígena, depende do tipo de alimento ingerido. No desenvolvimento intestinal vários fatores têm um importante papel no povoamento, e na formação do sistema imune adaptativo, entre eles: o parto, normal ou cesárea, a amamentação com leite materno, com leite maternizado, os alimentos líquidos e sólidos que são introduzidos na dieta. As fezes do recém nascido que se alimenta exclusivamente de leite materno, contém enorme quantidade de Lactobacillus e estas crianças têm uma incidência menor de episódios de diarréia que as que se alimentam com leite maternizado. O ph das fezes também evolui com a idade e com o tipo de alimentação. A reação é ácida variando o ph entre 5 e 6, devido aos ácidos orgânicos decorrentes da lactose. A flora iodófila pode estar presente devido à fermentação. Existe uma monoflora.

Lactobacillus são conhecidos pela propriedade de produzir um antibiótico natural, a acidofilina, que possui atividade antimicrobial, contra os patógenos comuns derivados dos alimentos.
A modulação nutricional durante o desenvolvimento neonatal, afeta a longo prazo a imunocompetência do indivíduo.
A microbiota do intestino, pode ser considerada um órgão adaptável metabolicamente e rapidamente renovável, à medida que novos alimentos vão sendo introduzidos na dieta.
As bactérias indígenas (comensais) do intestino, são constituintes importantes da barreira de defesa da mucosa intestinal. Elas não permitem que ele seja colonizado por microrganismos patogênicos. Quando isto ocorre, eles são rapidamente eliminados.
As bactérias indígenas competem por nutrientes essenciais, por locais de fixação no intestino e criam um ambiente desfavorável para o crescimento de novos patógenos entéricos.
Na mucosa há sempre uma adaptação dinâmica de sucessão bacteriana e interação entre as bactérias, e entre as bactérias e o hospedeiro.
Todos os principais grupos de microrganismos estão presentes no intestino. As bactérias predominam, mas encontram-se, também, fungos e parasitas.
O cólon é o local primário de colonização bacteriana, devido à lenta renovação de suas células. Neste local, há uma grande concentração de ácidos graxos de cadeia curta, resultado da fermentação dos carboidratos da dieta. Estes carboidratos exercem um papel importante no metabolismo das bactérias e servem como estímulo para a renovação e crescimento das células deste segmento do intestino.
Uma espécie de bactéria pode ser indígena de algum segmento do intestino, mas estranha para outro. Algumas bactérias ocupam todos os microhabitats, porém outras podem tornar-se patogênicas quando encontradas em outro habitat intestinal.
Quatro microhabitats são descritos: o lúmen intestinal, a camada mais profunda de mucus que recobrem as células das criptas, e o epitelial que reveste a mucosa intestinal.

As bactérias denominadas “amigáveis”, são também chamadas probióticas ou eubióticas, são elas que trazem mais benefício ao homem. Essas bactérias produzem vitaminas do complexo B incluindo a biotina (B1), niacina (B3), riboflavina (B2), ácido pantotênico (B5), piridoxina (B6), cobalamina (B12), ácido fólico, vitamina A e vitamina K.
O termo probiótico tem sido usado para se referir aos suplementos que contém Lactobacillus, em pó ou em cápsulas. Os dois grupos mais importantes da flora são os Lactobacillus encontrados principalmente no intestino delgado e as bífidobactérias, que habitam primariamente o cólon.
A dieta tem um papel importante na predominância de uma bactéria sobre a outra. Elas ajudam a aumentar a resistência do organismo.

Funções das bactérias probióticas:

- Nutricional:manufaturam vitaminas;

- Digestiva: digerem a lactose do leite. Permitem que pessoas que tem intolerância a lactose, se beneficiem das propriedades do leite através do Yogurt;

- Mecânica: ajudam a regular a peristalse. Previnem cólicas e diarréias em crianças e adultos;

- Imune: produzem antibióticos (acidofilina) e antifúngicos. Interagem permanentemente com as células imunes da mucosa intestinal, aumentando o número destas células. Inativam toxinas de outras bactérias. Tem efeito anticancerígeno. Previnem tumores intestinais;

- Bioquímica:produzem ácido láctico, que equilibra o ph. Quebram ácidos biliares. Normalizam o Colesterol e os Triglicérides;

- Metabolismo: Quebram e reaproveitam hormônios.

As bactérias do intestino previnem infecções intestinais, vaginais e urinárias. Muitos trabalhos mostram que a suplementação com Lactobacillos, ajuda a prevenir infecções causadas por Cândida e outros micróbios que florescem em ambiente alcalino, principalmente no trato genito-urinário. Nem todas as bactérias são amigáveis, a maioria que reside no intestino são comensais, nem boas, nem más. Outras são patogênicas, podem causar infecções agudas e nosso corpo reage através de diarréia, febre, gases, perda de apetite e vômitos. As bactérias que causam doenças crônicas, são geralmente organismos fracos, com pouca virulência, mas quando a colônia aumenta muito, elas podem causar doenças. Este tipo de doença é denominado disbiose.
O uso indiscriminado de antibióticos acaba destruindo bactérias intestinais residentes e tornando algumas bactérias adaptadas fora do seu habitat (por não terem com quem competir) e resistentes.

Medicamentos que interferem na flora intestinal: antiácidos, antibióticos, antifúngicos, antinflamatórios, laxantes, anticoncepcionais, estrógeno e corticóides.
Um desequilíbrio na flora intestinal devido ao uso indiscriminado dos medicamentos citados acima, pode levar a sintomas como diarréia, constipação, síndrome pré-menstrual, dores articulares, dores musculares, alergias, rinite, muitos gases, doenças inflamatórias intestinais e pulmonares, deficiência de vitaminas, intolerância à lactose (açúcar do leite), irritabilidade, Depressão, vaginites, doenças auto-imunes e eczemas frequentes.

Muitos pacientes acabam complicando ainda mais o quadro, quando começam a usar medicamentos para aliviar os sintomas decorrentes do desequilíbrio da microflora. A grande maioria passa a usar laxantes, analgésicos, antinflamatórios e antiácidos.
Entre as causas mais comuns de disbiose, além das medicamentosas, encontra-se o estresse, as exotoxinas (substâncias químicas encontradas nos alimentos), as endotoxinas (provenientes do metabolismo de alguns alimentos ou do metabolismo de microrganismos que habitam o intestino), alimentos com baixo valor nutritivo, como os carbohidratos simples e gorduras, e os antibióticos embutidos nos alimentos.
As toxinas que estes microrganismos produzem, são muito tóxicas para todas as células, Elas acabam lesando a borda em escova que recobre as células do epitélio intestinal e isto facilita a absorção e transporte pela circulação, para órgãos mais distantes.
Inicialmente estas lesões são reparadas através de um turn over das células epiteliais, os microrganismos são detectados pelas células imunes que as retira via sistema linfático.
Todos os agentes sinalizadores entram em ação, não só os imunoquímicos, mas a rede de secreção também é ativada, numa tentativa de eliminar o mais rápido possível o agente agressor. Há um aumento do peristaltismo e da secreção de muco e líquido.
Dor, inflamação e diarréia são sintomas resultantes da guerra que o intestino está travando.

Quando há um microrganismo patogênico, a linha de células do epitélio intestinal inflamada, não sinaliza mais para as células do sistema imune e a batalha é perdida. A parede intestinal lesada, cria um ambiente propício para que estes microrganismos alcancem a circulação. Eles são facilmente absorvidos, porque o intestino lesado, perde a permeabilidade seletiva e especializada. É a denominada Quebra da Barreira Intestinal. Normalmente, a barreira da mucosa intestinal é seletiva à passagem de moléculas e substâncias do conteúdo luminal. A natureza da molécula luminal é que vai programar a absorção e a difusão. Quanto maior a agitação no intestino delgado, menos resistência terá a barreira difusional.



 
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