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A depressão é um dos maiores problemas de saúde do mundo. A prevalência anual de depressão na população em geral varia entre 3% a 11%. Em pacientes de cuidados primários em saúde é de 10%, em pacientes internados por qualquer doença física a prevalência de depressão varia entre 22% a 33%. A prevalência de depressão é 2 a 3 vezes mais freqüente nas mulheres do que nos homens.

A origem da depressão

Para a maioria das pessoas, os episódios depressivos são relacionados a algum acontecimento adverso, como a morte de uma pessoa próxima, a perda de um emprego, a falta temporária de perspectivas, o sofrimento com doenças crônicas, etc. 

São as chamadas depressões ocasionais, ou situacionais, e geralmente se corrigem sozinhas, com o tempo; ou com uma psicoterapia de apoio. 
Entretanto, algumas pessoas têm depressões graves, verdadeiros distúrbios mentais, altamente debilitantes.  Para essas pessoas, a depressão é um fardo pesado, que causa um enorme sofrimento, uma grande diminuição da auto-estima, do otimismo e da vontade de viver.  Os estudos mostram que entre 2,5 % a 6 % da população pode sofrer depressões deste tipo.

Os psiquiatras sabem hoje, que o fator biológico é muito importante na origem deste tipo de depressão grave, tendo sido detectadas numerosas alterações na bioquímica e até na anatomia do cérebro. 

Usando técnicas sofisticadas de obtenção de imagens do cérebro, os pesquisadores são capazes praticamente de medir quantidades de determinadas substâncias químicas liberadas pelas nossas células cerebrais, chamadas de neurotransmissores.  Esses estudos mostraram que os deprimidos graves tem um grande déficit de um neurotransmissor chamado serotonina, que está envolvido no controle das emoções. 

Além disso, determinadas áreas do cérebro, como o giro cingular subgenual, que também faz parte dos circuitos cerebrais das emoções, apresentam uma diminuição de quase 50 % no número de células nervosas de um deprimido grave, em relação a uma pessoa sem a doença.  Assim, não é de se surpreender que a maioria dos medicamentos antidepressivos modernos, atue efetivamente no cérebro através do aumento da serotonina, compensando o déficit que o deprimido grave apresenta.

Como a depressão se manifesta

Do ponto de vista clínico seria extremamente fácil e cômodo se a depressão fosse caracterizada, exclusivamente, por um rebaixamento do humor com manifestação de tristeza, choro, abatimento moral, desinteresse, e tudo aquilo que todos sabemos que uma pessoa deprimida apresenta.
Desta forma até o amigo íntimo, o chefe ou o vizinho, poderiam diagnosticá-la.

A parte mais difícil e trabalhosa da psiquiatria está no diagnóstico dos muitos casos de depressão atípica, incaracterística ou mascaradas, bem como, perceber traços depressivos em outras patologias emocionais, como por exemplo, nos casos de pânico, fobia, etc. A sintomatologia depressiva é muito variada e muito diferente entre as diferentes pessoas.

Para entendermos melhor essa diversidade de sintomas depressivos, vamos considerar que, entre as pessoas, a depressão seria como o excesso de álcool, onde cada pessoa alcoolizada ficasse de um jeito: uns alegres, outros tristes, irritados, engraçados, dorminhocos, libertinos...

A única coisa que todos teriam em comum é o fato de estarem sob efeito do álcool, todos estariam tontos, com os reflexos diminuídos, etc.  Na depressão também, cada personalidade se manifestará de uma maneira.

O estado depressivo freqüentemente é descrito pela pessoa com sentimentos de tristeza, desesperança, falta de coragem ou como estando "na fossa". Em alguns casos, a tristeza pode ser negada de início, mas subseqüentemente pode ser revelada pela entrevista, por exemplo, quando a pessoa chora durante a consulta ou pela fisionomia aborrecida e entristecida.  Outras pessoas, entretanto, podem se queixar de se sentirem indiferentes, apáticos ou ansiosos ou, ainda, podem referir queixas somáticas sem correspondência clínica mais do que sentimentos de tristeza.  Muitos referem ou demonstram irritabilidade aumentada, tendência para responder a eventos com ataques de ira ou culpando outros, ou um sentimento exagerado de frustração por questões menores.

A perda de interesse ou prazer quase sempre está presente, pelo menos em algum grau nas pessoas com depressão.

Os pacientes podem relatar menor interesse por passatempos, "não se importar mais", ou a falta de prazer com qualquer atividade antes considerada agradável.

Os membros da família freqüentemente percebem um certo retraimento social ou descaso para atividades agradáveis, como por exemplo, jogar, assistir tv, ler revistas, reunir-se com amigos, etc.

Em muitos casos há uma redução significativa nos níveis de interesse ou do desejo sexual.

O apetite geralmente está reduzido, sendo que muitos indivíduos sentem que precisam se forçar a comer. Outros, por outro lado, podem ter uma incômoda avidez por alimentos específicos, como por exemplo, chocolates, doces, etc.

A perturbação do sono mais comumente associada com um episódio depressivo é a insônia, tipicamente intermediária, ou seja, com despertar durante a noite e dificuldade para voltar a dormir.  Menos freqüente é a insônia terminal, isto é, despertar muito cedo, com incapacidade de dormir novamente. A insônia inicial, isto é, a dificuldade para adormecer, embora menos freqüente, também pode ocorrer.

Além disso, alguns pacientes apresentam, curiosamente, uma sonolência excessiva (hipersonia), na forma de episódios prolongados de sono noturno ou de sono durante o dia.

Tratamento farmacológico

Feito o diagnóstico e uma avaliação completa e cuidadosa, o médico escolherá o melhor tratamento para cada caso.

Os medicamentos antidepressivos, muito em moda ultimamente e um dos mais expressivos avanços da ciência na área cerebral nesse século, promovem uma expressiva correção no nível dos neurotransmissores e, concomitantemente, também um ajuste na quantidade e qualidade dos neuroreceptores.  Desde o descobrimento dos primeiros antidepressivos, na década de 50, até hoje, muito se progrediu nessa área. Atualmente os medicamentos para depressão são muito eficientes, específicos e cada vez com menos efeitos colaterais.

Os antidepressivos não são calmantes. São substâncias específicas para a correção do humor ou do afeto.

As principais classes de antidepressivos são:

- Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (exemplos: fluoxetina, paroxetina e sertralina);

- Antidepressivos Tricíclicos (exemplos: amitriptilina, imipramina e nortriptilina);

- Inibidores Mistos de Recaptação de Norepinefrina-Dopamina (exemplo: bupropiona);

- Inibidores da Monoamina-oxidase;

- Antagonistas alfa-2 adrenérgicos (exemplo: maprotilina);

Novos medicamentos estão sendo lançados e se mostram promissores, como a duloxetina. A droga faz parte de uma nova classe de medicamentos conhecidos como duais por atuarem simultaneamente sobre a serotonina e a noradrenalina (substâncias que fazem a comunicação entre os neurônios) que têm importante papel na depressão se estiver em desequilíbrio. Esse novo medicamento traz a vantagem de provocarem bem menos efeitos colaterais em relação aos seus pioneiros e ter ação mais rápida.

Outra novidade é o Prozac Durapacâ. É uma nova versão do antidepressivo Prozacâ que deve ser tomada uma vez por semana.  Por isso, um de seus benefícios é facilitar a continuidade do tratamento.

É importante ressaltar que não se deve usar nenhum medicamento sem prescrição e acompanhamento médico.

Os pacientes com depressão devem também ser encorajados a modificar seus hábitos diários: realizar atividades físicas regulares, manter um tempo mínimo de sono diário (6 a 8 horas por noite), ter uma boa alimentação e evitar o uso de substâncias como anorexígenos, álcool e tabaco.

E além do tratamento farmacológico, os pacientes com depressão irão se beneficiar grandemente com a psicoterapia, que deve estar sempre associada.

Depressão Pós-Parto

A depressão pós-parto tem as mesmas características de uma depressão normal, ou seja, a pessoa sente uma tristeza muito grande de caráter prolongado, com perda de auto estima, perda de motivação para a vida, podendo até mesmo tentar o suicídio.  Em casos mais graves da depressão pós-parto, algumas mulheres apresentam tendência ao abandono do recém nascido ou mesmo ao seu extermínio.

Fisicamente, sintomas como alterações gastroinstestinais, com ressecamento de boca, de intestino, dores de cabeça, insônias podem ser indícios de uma depressão.  Para ser considerado depressão pós-parto é necessário que ela ocorre até o sexto mês após o parto. Essa depressão é prolongada e normalmente necessita de medicamento e acompanhamento psiquiátrico para controlar, pois não é um caso autolimitante.

Conseqüências

Médicos e familiares devem ficar bem atentos aos sintomas para não se confundirem no diagnóstico.  No período pós-parto inicial é comum à mulher passar por um quadro de depressão leve, que não traz maiores conseqüências.
Na literatura americana essa depressão leve é denominada de "blues post partum" e atinge 50% das mulheres.  Nesses casos o que ocorre é uma vontade de chorar, um "baixo astral" que começa entre o segundo e o quarto dia após o parto e é auto limitante, logo melhora.  Não existe um tempo determinado de duração, geralmente vai de 4 a 5 semanas.
A possibilidade de uma "blues post partum" evoluir para um quadro de depressão pós-parto propriamente dito é mínima. Um caso típico de depressão pós-parto já começa com características mais severas.

Indícios

Saber se a mãe terá ou não depressão após o parto, antes do nascimento do bebê é muito difícil. As mulheres com tendência depressivas anterior à gravidez requerem mais atenção dos familiares. A situação da gestação também é um fator a ser avaliado. Uma gravidez rejeitada, ou uma gestação em que houve problemas mais sérios a nível pessoal pode provocar uma associação do problema com o bebê. Tais fatores também podem desencadear um quadro depressivo caso a mãe acredite que a gravidez foi um mal.  Depois do nascimento o que tem de ser observado é a intensidade dos sintomas.

Não existe um trabalho específico para prevenção de depressão pós-parto, mas o pré-natal, além de orientar a mãe e prevenir uma série de doenças e problemas com a mamãe e o bebê, também serve como prevenção de uma depressão pós-parto.  Durante o pré-natal os médicos procuram dar segurança à mãe tanto em termos orgânicos como psicológicos. Fazendo com que a gravidez da paciente seja tranqüila e com um grau de informação significativo, considera-se que o pré-natal é um fator de prevenção contra a depressão pós-parto.

Depressão e desejo sexual

Há muito já se sabe da relação entre os processos depressivos e alterações sexuais, dentre as quais, mais comumente a diminuição do apetite sexual, também chamada de libido. Essa relação pode passar despercebida pelo fato de haver uma melhora do quadro sexual ao se tratar a depressão.  Para se ter uma idéia, uma pesquisa nacional nos EUA em 1994, revelou que cerca de 30% das mulheres e 17% dos homens, entre 18 a 59 anos de idade, tinham uma diminuição do interesse sexual naquele ano. Pessoas com problemas depressivos ou distúrbios de humor bipolar têm tais índices ainda maiores. Um estudo feito com pacientes deprimidos demonstrou que mais de 70% deles tinham diminuição de libido sendo esse um dos piores sintomas do distúrbio.  Outro estudo demonstrou um aumento na prevalência de distúrbios afetivos em pessoas com desejo sexual reprimido.

A depressão é a principal doença mental da terceira idade. Este seja um dos mais importantes sintomas psicológicos que atinge as pessoas na idade adulta, não só por sua grande freqüência, mas também por suas importantes conseqüências sobre todo o organismo. É uma situação que pode se confundir com uma série de doenças, sendo em geral muito mal orientada em nosso meio. Caracteriza-se principalmente por um estado de humor deprimido, melancólico. 

Na idade adulta o Estresse é uma das principais causas da depressão. A solidão, a inatividade, as perdas de entes queridos estão entre as principais causas de depressão na Terceira Idade.

Mas a depressão pode também se manifestar através de agitação ou agressividade. A insônia é um importante sintoma de depressão. O estado depressivo freqüentemente é acompanhado de ansiedade e de tensão muscular, podendo ocorrer dores musculares que se situam em geral nas costas ou na nuca. Freqüentemente ocorrem dores de cabeça. O deprimido pode ter tremores nas mãos, palpitações e sudorese, o que pode confundir-se com outras situações médicas.

Freqüentemente, o quadro depressivo é devido à utilização de remédios, principalmente o uso prolongado de tranqüilizantes. Não é raro encontrarmos pessoas medicadas há vários anos com substância psicotrópica ou tranqüilizante, e que passam a sentir sintomas depressivos, perda de memória, desânimo, etc. Nestes casos a suspensão da medicação provoca o desaparecimento da depressão.  A retirada da medicação deve ser feita com cuidado, pois pode ocorrer o fenômeno da dependência. Além dos tranqüilizantes, vários remédios cardiológicos, anti-reumáticos, antialérgicos, e antiinflamatórios também podem provocar depressão. Dentre estas medicações destacam-se corticóides, beta-bloqueadores e vasodilatadores cerebrais.

Algumas doenças são acompanhadas de depressão, destacando-se o hipotireoidismo, o que mostra a importância de sempre ser feita uma minuciosa avaliação clínica em toda pessoa com sintomas depressivos.

A depressão produz com freqüência uma queda em nossa imunidade, diminuindo nossa resistência física às doenças, com destaque para as infecciosas e o câncer. A depressão severa na pessoa idosa pode apresentar um estado confusional semelhante a que ocorre com a demência.

m toda situação de depressão a abordagem médica deve ser muito cuidadosa sendo fundamental um detalhado levantamento de dados pessoais, tipo de medicamentos utilizados e antecedentes de problemas psicológicos. Um exame clínico completo associado à avaliação psiquiátrica e neurológica são indispensáveis.

A queda hormonal, seja em indivíduos por volta dos 40 anos ou antes, seja na menopausa ou na andropausa, causam distúrbios importantes que poderão levar a depressão.

A medicação antidepressiva é importante, mas a abordagem psicológica é fundamental. A terapia ocupacional produz bons resultados em grande número de situações. A realização de atividade física regular é muito eficiente no tratamento da depressão. Há sempre que se avaliar a pessoa no tempo e de uma maneira mais abrangente possível. Não é raro que a depressão faça parte de uma situação antiga, estrutural, que apresenta eventuais episódios de piora.  Nestas situações é fundamental a avaliação psiquiátrica

Tratamento Biomolecular

A primeira medida a ser tomada num quadro de depressão é a administração de um antidepressivo. Temos que tratar imediatamente a causa que levou o paciente até ao médico. Ocorre que não é possível a prescrição apenas do antidepressivo. Por exemplo, a Fluoxetina promove a recaptação de serotonina, acontece que se não prescrevermos também hidróxitriptofano, L-triptofano, e ácido fólico, a Fluoxetina não terá condições de vencer certas barreiras metabólicas pois, sabe-se que o L-triptofano se liga a albumina e atravessa facilmente a barreira hematoencefálica, mas por estar ligada a albumina tem uma ação mais lenta no cérebro. E sabemos que é uma substância indispensável para a depressão. Já o hidroxitriptofano tem uma ação imediata no tecido cerebral por atravessar diretamente a barreira hematoencefálica, sem necessitar de carreadores. No entanto, o triptofano depende do ácido fólico para ser transformado em serotonina. Assim, a deficiência de ácido fólico impede a melhora de um quadro depressivo.

Some-se a isso o fato de haver um desequilíbrio entre cálcio, magnésio, sódio e potássio no estudo do Mineralograma Capilar (exame do cabelo), onde ainda poderemos ter uma carência de lítio, pois o solo brasileiro é pobre em lítio.

Ainda poderemos encontrar, no mesmo paciente, um quadro de Disbiose, e assim, com a alteração da flora intestinal não há absorção adequada de triptofano, principalmente a forma L. Se não corrigirmos a flora intestinal, e por conseguinte a Disbiose, todo o raciocínio e atuação terão sido em vão.

Podemos, ainda, argumentar que o nível crescente de poluição ambiental faz com que diminua dia após dia o nível de oxigênio disponível para a oxigenação adequada de nosso organismo. Também o nível crescente de estresse gera uma rigidez muscular principalmente nos ombros, e uma postura física geralmente arqueada, que se somam em causar uma hipoventilação. É importante atentarmos para o fato de que, como existe toda uma postura corporal e psicológica onde o paciente deprimido toma uma postura curvada, como se "o fardo fosse muito pesado", acentua-se uma respiração superficial que culminará com hipoventilação, hipóxia, letargia, produção de mais Radicais Livres, e acentuando o decréscimo nos níveis de oxigênio necessário somando-se ao quadro já instalado de depressão.

Se estas situações citadas acorrerem, teremos um paciente que estará sempre trocando ou associando antidepressivos e ansiolíticos sem nunca se livrar do estigma da depressão, pois como mostramos existe uma base orgânica complexa que habita o cerne desse quadro que avança como se fosse uma epidemia.

Clique e leia:

- Alimentos que melhoram a Depressão



 
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