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Os níveis de triglicérides, ou gorduras, existentes no sangue variam de acordo com o tipo de alimentação adotada. Está cada vez mais claro para os estudiosos do problema que uma dieta rica em gordura é um dos mais graves fatores de risco para o funcionamento das artérias que irrigam o coração.

Há mais de 40 anos, foi demonstrado que níveis altos de triglicérides estão associados à doença das coronárias. No entanto, essas gorduras presentes no sangue têm sido consideradas menos importantes do que certas frações do colesterol, como HDL (o colesterol "protetor") ou LDL (o "mau" colesterol).
Em 1996, uma compilação de vários estudos demonstrou que, para cada aumento de 88,5 mg na dosagem de triglicérides sanguíneos, o risco de doença coronariana aumenta 37% em mulheres e 14% nos homens.
Os médicos têm considerado aconselhável manter os níveis de triglicérides abaixo de 200, mas não há unanimidade em relação a esse valor. Em 1984, o National Institute of Health, dos Estados Unidos, aceitava como desejáveis valores até 250. Recentemente, o Baltimore Coronary Observation Program sugeriu que níveis acima de 100 devem ser considerados anormais. Já a American Heart Association aceita valores até 150.

A dieta é fator crucial na relação entre triglicérides e doença coronariana. Cada vez que ingerimos gordura, o nível de triglicérides no sangue aumenta. O grau de aumento depende dos níveis basais de triglicérides. Por exemplo, uma pessoa que em jejum tenha triglicérides iguais a 80 e almoce cheeseburger com batata frita e milkshake, poderá experimentar uma elevação entre 15% e 20% em seus níveis. Embora esses valores subam para 92 a 96, ainda estão dentro da normalidade. A mesma refeição, em outra pessoa com valores basais iguais a 300, elevará os níveis para mais de 350 o que é absolutamente desaconselhável.
Para obtermos resultados laboratoriais confiáveis dos níveis basais de triglicérides, é preciso estar pelo menos 12 horas em jejum quando o sangue for coletado. Além disso, existe variabilidade de 5 a 10% nos resultados de um laboratório para outro, podendo haver até 15% de variação de acordo com a posição em pé ou deitada no momento da coleta. Esses índices pouco afetam os resultados daqueles que apresentam resultados dentro da faixa da normalidade, mas podem ser significantes para os demais. Por isso, recomenda-se jejum de 12 horas, no mínimo, e colher o exame na mesma posição e no mesmo laboratório, sempre que possível.

Independentemente dessas variações, triglicérides abaixo de 100 não requerem tratamento. No entanto, indivíduos com níveis superiores a 200 devem ser tratados. Na faixa entre 100 e 200 existe controvérsia em relação à necessidade de tratamento. Nesse caso, fatores como história de ataques cardíacos na família, concomitância de hipertensão, diabetes, vida sedentária, tabagismo e níveis de colesterol devem ser levados em consideração.

Modificações da dieta são muito eficazes no controle das triglicérides, porque ela afeta seus níveis de forma muito mais evidente do que os do colesterol
Enquanto evitar alimentos ricos em gorduras saturadas (frituras e gordura animal) reduz o colesterol em apenas 5% a 10%, as triglicérides caem de 20% a 30%.
Para reduzir triglicérides é importante, também, diminuir a ingestão de açúcares, porque o glicerol neles presente forma o esqueleto químico das moléculas de triglicérides.

Embora o álcool pareça ter menor impacto nos níveis de triglicérides do que se imaginava, sua ingestão concomitante com gorduras e frituras pode aumentá-los substancialmente.
O exercício físico aeróbico é fortemente recomendado para os que apresentam triglicérides elevadas. Sua prática reduz os níveis de 10% a 20%.
Substâncias como os ácidos graxos ômega-3, presentes no óleo de peixes como o salmão, constituem fontes alimentares importantes para quem precisa reduzir triglicérides. Para que sejam ingeridas nas quantidades adequadas, entretanto, é preciso comer cerca de 300 gramas de salmão por dia. Por isso, estão sendo desenvolvidas cápsulas de ômega-3 que supram essa necessidade de forma menos enjoativa.
Para os sedentários em que os esforços dietéticos tenham fracassado, o tratamento farmacológico está indicado. Três tipos de drogas são utilizados: niacina, estatinas e fibratos.
A niacina reduz os níveis de triglicérides de 10% a 30%. Doses de um a dois gramas são eficazes também para aumentar os níveis de HDL (o colesterol "protetor"). Redução do LDL, porém, requerem doses mais altas do medicamento.
As estatinas são usadas para reduzir LDL e, concomitantemente, as triglicérides. São especialmente eficazes quando os níveis basais de triglicérides ultrapassam 250, pois induzem 20% a 40% de redução (contra 5% a 10% de redução quando os níveis basais são menores do que 150).
Os fibratos podem reduzir os níveis de triglicérides de 20% a 60% nos pacientes com colesterol total normal (abaixo de 200). Recentemente, um grande estudo conduzido entre pessoas com colesterol normal (em média 175) e valores médios de triglicérides iguais a 161 demonstraram que os fibratos reduziram o número de eventos cardiovasculares em 22%, resultado expressivo, num grupo que os médicos raramente consideram necessário tratar.

Tratamento Biomolecular:

Devemos lembrar que o ácido graxo para poder ser transportado para o interior da motocôndria e ser metabolizado, para chegar a ser transformado em triglicéride, necessita de carnitina e nicotinamida. E que para tanto, ainda é preciso dispor de coenzima Q10 e creatina. Dependendo da via metabólica utilizada para se dispor dos ácidos graxos, seja por utilização de carboidratos ou proteína, devemos ter em mente que grande parte de todo esse metabolismo ocorre no tecido hepático. 
Ainda é possível de se utilizar o tecido adiposo, e precisamos atentar para o fato de que sem insulina é impossível o transporte de ácido graxo para o interior da célula que, conseqüentemente, não transformará em triglicérides, que não se transformará em ATP, e, portanto comprometerá o suprimento de energia do organismo. Assim, como primeiras providências sistêmicas devem ser estudadas a possibilidade da ocorrência da Disbiose e todas as suas conseqüências. Necessitamos das informações do Mineralograma Capilar. E pensarmos sempre na possibilidade de correção dosa níveis de ácido fólico, piridoxina, vitamina B12, tirosina, ômegas 3, 6 e 9, taurina, dentre outros.

Fonte:Health Latin America



 
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